quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Inclusão?





A primeira igualdade é a justiça.
Victor Hugo
(criador de Jean Valjean e Quasímodo)


       Você acorda cedinho, animada como acorda todos os dias. Você gosta da brisa fresca da aurora, gosta de sair de casa com o nascer do sol, mesmo sendo uma criatura notívaga. Porque está animada se arruma bem, usa seu cachecol favorito aproveitando o final do inverno, dá uma caprichada no make-up e até usa seu perfume para dias especiais porque quer se sentir bem. Você coloca na bolsa o novo livro de contos clássicos que comprou para as crianças do Fundamental 1 e torce para poder dar aula para eles hoje. Você está tão contente nesta manhã que até posta uma self bobinha no Instagram para popularizar seu cachecol predileto. Quando você chega à escola, as crianças, em coerência com sua animação, te abraçam no pátio, dizem que você está bonita e cheirosa e na sala dos professores você encontra seus colegas rindo descontraídos, pegando seus materiais para começar o período. Logo você descobre que vai dar aula em um segundo ano, que a professora adoeceu e que ficará fora por alguns dias. Você pensa: Ok, trouxe meus contos novos e desenhos fantásticos para colorirem. No segundo ano já podemos aproveitar a história para aprender palavras novas, talvez um pouco de ortografia, separação de sílabas, possivelmente até formação de frases. Enquanto forma a fila no pátio você começa a bolar uma atividade de matemática também, afinal o conto do ‘Isqueiro Mágico’ tem uma série de sequências numéricas que podem ser aproveitadas. Você gosta dessa liberdade de criação no módulo. Você se sente livre e inspirada. Você sorri para as crianças, algumas delas muito queridas e pensa que tem tudo para ser um dia normal, numa sala de 2º. Ano, de uma das melhores escolas públicas da região.

       Você sobe as escadas um pouco tensa porque sabe que essa sala não é nada fácil, entre os 30 alunos, existe um autista grave, um autista leve agitado, um TDHA que anda pela sala o tempo inteiro e não realiza nenhuma atividade e, em vez disso, bate nos colegas e pega seus materiais sem autorização, causando conflitos constantes, e pelos menos mais umas cinco crianças com dificuldade de aprendizagem, todas inclusive fazendo recuperação paralela no período contrário e que são bastante lentas nas tarefas, requerendo suporte o tempo todo. Você fica mais preocupada ainda quando vê que Y veio. Sem dúvida, o aluno mais problemático da sala e um dos mais perturbadores da escola, um garoto estrangeiro, que ainda não tem laudo médico, embora se suspeite de esquizofrenia ou de algum transtorno global do desenvolvimento, além de possíveis abusos físicos e até sexuais, porque o aluno apresenta comportamentos sexualizados, brincadeiras estranhas e está sempre tentando colocar as mãos dentro das roupas de algumas professoras, incluindo você. Logo de cara você percebe que, neste dia em especial, Y está muito agitado e agressivo.

       Com menos de meia-hora de aula, mesmo com o apoio da estagiária, você já teve que guardar todas as tesouras dentro de uma caixa e esconder em cima do armário porque Y já tinha lançado três delas pelo ar, uma passando rente ao rosto de outro aluno. Y, de forma inesperada, se pendura com força em seu pescoço, coloca todo o peso de seu corpo sobre você e ao ser afastado tenta arrancar sua corrente do pescoço, bem sua correntinha de São Bento favorita, que você usa há mais de dez anos, a corrente é grossa e ela não quebra, mas te machuca, graças aos céus sem muita gravidade.

       Após um período breve de tranquilidade em que se distraiu com brinquedos de montar dados para os autistas (sempre envolvidos com algum tipo de jogo ou brinquedo porque ninguém na escola tem a mais vaga ideia de como ensinar conteúdo para essas crianças ou se isso é possível), Y começa a jogar peças nas outras crianças, acertando alguns na cabeça e fazendo com que seja necessário guardar tudo, o que deixa os autistas também frustrados e causa um período tenso de gritaria e choro. No meio de tudo isso, você continua tentando dar aula e compartilhar o conto que vinha ansiosa para dividir com a sala e as crianças interessadas na atividade, crianças que tem condições de aprender e que reclamam, pedem sua atenção, puxam você pelo braço pedindo que continue a história e exigem que se coloque os causadores do tumulto para fora, outros que ainda tentam acalmar os deficientes, numa atitude generosa que acaba virando habitual e que faz com que desistam de suas próprias tarefas.

       Depois de mais um curto período de calmaria, essa mesma criança sem laudo, começa a pular de carteira em carteira, imitando um macaco e cantando o refrão de um funk pesado que você nunca ouviu na vida. Após fugir da estagiária umas três vezes, saindo da sala pela porta e correndo pelos dois andares da escola, entra em outras salas de aula, agride crianças,  chora e acaba sendo arrastado pelo corredor para não se machucar, voltando  para dentro de sua própria classe e se sentando quieto. Um pouco ofegante com a correria, sentindo-se descabelada, já sem cachecol e sem blusa, você tenta manter a serenidade e diante da pretensa quietude de Y, você se volta para escrever na lousa, tentando retomar a tarefa dada, ainda a primeira do dia, que ninguém conseguiu terminar por causa da confusão. A agitação recomeça em segundos e o mesmo aluno salta em cima das carteiras e aproveitando sua distração, se joga nas suas costas. Por uma questão de meio centímetro você não mete a cara na lousa. O aluno, menino de 8 anos grande para a idade, se pendura em suas costas e enrola suas pernas em volta de sua cintura, a estagiária tenta retirá-lo de cima de você, mas ele se agarra fortemente dificultando a tarefa. Enquanto tenta se desvencilhar do menino, você vê que uma lâmina inteira de vidro da janela caiu solta, você corre para pegar antes que fira alguém. As crianças sentadas ao lado da janela, aproveitando todo o caos, tiraram a massa fresca do vidro recém consertado para brincar de massinha e com isso derrubaram o vidro da janela. Você sai depressa da sala para chamar alguém para recolher o vidro. Não acha ninguém da manutenção, você recebe ajuda de uma professora readaptada que leva a lâmina embora.       Com alívio você percebe que o período já está terminando, você desce com as crianças para o pátio. Por duas semanas após o ocorrido você ainda terá dores nas costas, na altura da lombar, na bacia, do lado esquerdo. Você sabe que esse tipo de situação, com uma ou outra variação, é comum e independe da professora presente em sala de aula. Num suspiro você se lembra de que essa nem é a sala mais complicada da escola no que tange ao contexto de inclusão. Você sai da escola no final do período exausta, nervosa e frustrada porque tem plena consciência de não ter conseguido concluir nada do que planejou e de que as crianças pouco aprenderam de fato naquele dia. Você se sente uma fraude como professora e ainda está machucada fisicamente...Você se recupera das dores na coluna com aulas de Pilates. Aulas que obviamente você paga do próprio bolso!

       A primeira experiência profissional que tive com uma criança portadora de necessidades especiais foi durante a faculdade de Psicologia, num estágio obrigatório em ‘Psicologia do Excepcional’. Atendi durante seis meses um adolescente de 13 anos com Síndrome de Down, numa das melhores instituições para excepcionais existentes na época, com supervisão competente e estrutura adequada para atendimento. Lembro que após este tempo, no qual minha atuação terapêutica se limitou, em grande parte, a distrair meu paciente para que não se masturbasse na minha frente, o que fazia o tempo inteiro, utilizando técnicas de condicionamento comportamental. Era constrangedor, frustrante e inútil o trabalho que eu desempenhei vicariamente por 6 meses e percebi, nessa época, que eu não tinha desejo, paciência ou estrutura para trabalhar nessa área. Cumpri o estágio, tirei a nota e encerrei sem alegria ou vontade de trabalhar com essas crianças. Nessa mesma época, uma colega teve que levar 8 pontos no mamilo, porque o autista severo que atendia - filho de milionários e que passava o dia numa instituição totalmente estruturada para seus cuidados e que só tinha 4 crianças, cada uma devidamente acompanhada de seu próprio terapeuta, em período integral - virou-se inesperadamente enquanto ela o ajudava a escovar os dentes e a mordeu, travando os dentes em seu seio e só não lhe arrancou a carne porque estava frio e ela vestia uma jaqueta grossa. Lembrando que estudávamos Psicologia, éramos alunas excelentes e recebíamos supervisão semanal de professores especializados neste tipo de clientela. Quando fazia especialização em Psicoterapia de Crianças e Adolescentes em Porto Alegre, a instituição em que eu estudava, completamente bem assessorada por psiquiatras e psicólogos bem formados e treinados, mantinha uma Ambientoterapia, onde atendiam crianças com diversas patologias e síndromes, permitindo que convivessem, aprendessem e executassem tarefas de lazer e socialização juntas - CADA CRIANÇA ERA ACOMPANHADA DE UM OU DOIS TERAPEUTAS.

       Conto isso não para criar nenhum tipo de animosidade quanto ao trabalho com crianças deficientes, muito pelo contrário, conto isso para destacar a necessidade de um atendimento profissional especializado para este tipo de público, do contrário jamais terão qualquer oportunidade de um real desenvolvimento da porcentagem de autonomia possível dentro de cada quadro e de uma real possibilidade de aprendizagem, de qualquer espécie.

       A primeira vez em que estudei inclusão de uma forma mais formal foi durante o meu primeiro mestrado, que acabei abandonando exatamente por perceber que não era para mim. Uma das disciplinas, focada 100% na teoria que acabou por instalar na escola brasileira essa política ‘inclusiva’, era ministrada por um professor que se citava o tempo inteiro, uma vez que era o grande estudioso e incentivador do tema.

       Ao mesmo tempo em que eu lia textos e textos desse autor, vendo-o pessoalmente duas vezes por semana e testemunhando seu entusiasmo com o que parecia ser a instalação do ‘paraíso na Terra’ e a solução para todos os problemas de empatia e desigualdade humana a partir da escola, ouvia de minha tia professora de educação infantil e de várias amigas sobre o caos que vinham enfrentando em salas de aula com até 40 crianças de menos de 7 anos, agora contendo 5 ou 6 deficientes mentais, alguns severos e agressivos, outros ainda de fraldas e com graves dificuldades motoras, entre eles.

       Um dia, já muito confusa e cética e de saco cheio da ladainha descarada que vinha sendo enfiada por minha goela abaixo, levantei a mão e com minha boca grande perguntei: Professor, por gentileza, o senhor parece ter tantas experiências de sucesso com esse trabalho inclusivo, onde mesmo o senhor deu aula para deficientes? O honorável mestre pigarreou, olhou o relógio, pediu licença e saiu da sala como se tivesse um compromisso inadiável, deixando-nos a todos meio perplexos. Sua assistente, uma dessas puxa-saco acadêmicas de carteirinha (e como existe esse tipo de gente no meio acadêmico, pelo amor de Deus!), disse em tom se sussurro: Não, gente, sabe o que é, o professor X é um acadêmico e um teórico, ele nunca deu aula na educação básica, mas ele já foi inclusive secretário da educação do governo do Estado X, viu? Ele é super conceituado!

       Confesso que a ideia de ‘vergonha alheia’ se tornou mais clara para mim naquele dia, imediatamente senti meu rosto queimando, o que significa que devo ter ficado vermelha feito um pimentão e dali para frente nunca mais dei muita atenção para aquela aula, que acabou se tornando um dos motivos pelos quais larguei esse mestrado, mesmo tendo cumprido todos os créditos de disciplinas (para grande espanto e horror da minha mãe...rs..) e ido estudar Letras, pelo menos na Literatura quase sempre a gente tem clareza sobre o que é ficção ou não, né?

       Eu poderia dar uma de intelectual e ficar aqui discutindo mil teorias lindíssimas sobre como a ideia de educar crianças para o bem e a política  de ‘Inclusão’ são complementares, mas uma coisa que se descobre em chão de sala de aula é que educação se faz na prática, por meio de empatia, percepção e sinceridade. Educar é ‘aproveitar o momento’ e a realidade é que essa tal política de ‘Inclusão’ foi jogada no colo dos professores, dando ao fracasso mais uma oportunidade. A grande maioria nunca teve treinamento ou instrução para atender essa clientela. Nunca foram levadas em conta as demandas das salas de aula já existentes antes mesmo do ingresso dessas crianças, necessidades já imensas e sem atendimento eficaz. A mera criação de um departamento de apoio nas redes de ensino (minúsculo para o número de escolas e de casos, burocrático e demagógico, como quase tudo na escola pública, e especializado em devolver a responsabilidade para a escola local) nunca passou de um ‘cala a boca e aguenta’ por parte dos idealizadores dessa ideia de jerico, travestida de bom-mocismo e discurso fake de igualdade.

       Qualquer professor honesto e inteligente, após se esforçar muito para incluir essas crianças, porque afinal de contas somos todos humanos e compaixão e afeto precisam ser características de alguém vocacionado para ensinar, começa a se dar conta de que a inclusão sem estrutura não passa de mais um projeto de emburrecimento da população. Esses dias um colega postou no Facebook uma matéria sobre como relatos exagerados que mostram a educação num estado pior do que ela está de fato é um projeto para desacreditar o ensino brasileiro. Discordo redondamente! Primeiro que o quadro é mesmo calamitoso e se não houver denúncia não haverá conscientização e mudanças, segundo que os relatos que temos visto não são exagerados, são realistas. São relatos de gente que não desistiu de lutar, mas que não aceita maquiar a realidade em prol deste ou daquele interesse político. Esse PROJETO DE EMBURRECIMENTO não me parece recente, nem exclusivo de um partido ou de outro, da esquerda ou da direita, de uma única pessoa, mas é uma ação coordenada, sei lá se totalmente consciente, mas que está conseguindo nivelar toda população por baixo, impedindo que as camadas populares tenham acesso a uma real aprendizagem. Para quem leu Admirável Mundo Novo, parece que estamos trabalhando para a boçalização de nossos alunos, garantindo que toda uma geração de GAMAs[1] saiam das escolas.

       É importante saber que assim que a política de inclusão foi implantada, o governo do Estado declarou não ter estrutura para atender este público, de modo que ficou para as escolas da prefeitura a responsabilidade de receber essas crianças. Até onde eu sei não existe um limite adequado de número de crianças a ser recebido por escola, o que torna algumas dessas unidades escolares, seja pela existência de elevador, seja pela localização de fácil acesso ou por alguma outra questão, favoritas para este tipo de matrícula. Sendo assim, existem escolas com 10, 20% de seu público constituído por cadeirantes e deficientes de toda ordem, sem estrutura, sem material para educação especial, sem espaço físico adequado (e nosso próximo texto vai abordar a questão do espaço físico), sem treinamento especializado para professores ou qualquer tipo de recurso que torne a existência dessas crianças na escola menos prejudicial ao processo de ensino-aprendizagem das crianças sem deficiência e mais promissora do ponto de vista dos próprios deficientes.

       Já vi estagiária pedir demissão porque não aguentava mais chegar em casa toda machucada por seu aluno deficiente. Já vi professoras excelentes desistirem de dar aula em certas classes porque consideram uma hipocrisia e um acinte trabalhar sem nenhuma estrutura, sem condição de lecionar e ainda correndo risco de lesão física. Já vi salas serem trancadas por medo de serem invadidas por crianças agressivas. Já vi todo tipo de relato e reclamação serem escritos e enviados para órgãos superiores que exigem da escola um ‘plano de ação’ para o atendimento dessas crianças sem que nenhum recurso ou mudança sejam oferecidos como suporte para a situação.

       Sou uma professora e uma profissional de saúde mental, acredito no potencial de aprendizagem de qualquer se humano e, ainda que imperfeita ao extremo, tenho preservado em mim um sentido de compaixão e de humanidade que me faz abraçar essas crianças, tentar ensinar alguma coisa a elas e achar bonito a forma como as outras crianças as aceitam e tentam ajudá-las em suas dificuldades. Por outro lado tenho um cérebro e uma acuidade crítica que me permitem fazer a pergunta: Qual é a diferença entre a atenção e as tentativas desesperadas (e por que não dizer ridículas, se estamos sendo honestos aqui?) de incluir essas crianças no processo de ensino-aprendizado, feitos sem nenhum preparo, na improvisação e sem nenhum recurso, da atenção e das tentativas engraçadas de treinar nossos PETs em casa? Sei que essa pergunta vai chocar alguns e escandalizar outros, mas é uma pergunta descabida? Existe respeito quando se fecha uma escola pública especializada em crianças com Paralisia Cerebral, toda equipada com computadores, professores especializados e material adaptado que realmente permitiam o desenvolvimento dessas crianças e se jogam esses alunos para serem o mascote de um sala de aula com mais de 30 outros alunos, sem recurso algum que lhes permitam de fato serem ensinados? Quantos deficientes vc conhece em escolas públicas que tem um profissional exclusivo para atendê-los e que consiga de fato adaptar para eles cada atividade de modo a que seu tempo na escola não lhe seja inútil e não represente perda na qualidade de ensino de seus colegas e caos para todos?
      
      Na verdade, a política de ‘Inclusão’, como tem sido aplicada, é sim exclusiva e mais ainda, representa uma excelente ferramenta de emburrecimento geral da população escolar e de adoecimento dos docentes. Parece que somando a Progressão Continuada com a Inclusão obrigatória a única equidade que temos conseguido é a igualdade na bosta. O resultado já é explícito e facilmente identificado, não precisa nem ser gênio para notar, estamos deformando toda uma geração que chega no Ensino Médio semi-analfabeto e sai dele subletrado. Quanto ao deficiente, nenhuma de suas habilidades foi reforçada, seu potencial de aprendizagem foi desperdiçado, mas vamos ficar contentes porque ele fez um monte de amiguinhos na escola que o tratam com afeto, fazem gracinhas para ele rir e empurram sua cadeira de rodas na hora do recreio. Se eu fosse mãe de um deficiente ficaria muito, mas muito ferrada com isso.







[1] Referência aos seres humanos programados para serem deficientes cognitivos e talhados para todo tipo de trabalho braçal e serviços indesejáveis em ‘Admirável Mundo Novo’.

Um comentário:

  1. Dani, nem todos os casos são assim...
    A dificuldade na implantação de politicas de inclusão não invalida todas as iniciativas. A dificuldade, como você bem demonstrou no texto, é real e concordo contigo que há uma defesa cega da inclusão. Mas há inúmeros outros tipos de inclusão: acessibilidade, asperger (autismo grau leve), TDH etc. que podem obter melhor rendimento se a escola puder auxiliar. Mas também concordo contigo que esses alunos precisam também de lugar especializado e que cada caso deve ser bem analisado, pois a inclusão feita cegamente pode prejudicar os outros alunos sem estas necessidades. Abço

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